terça-feira, 31 de março de 2009

Mãos farpadas


"Sabes lá roçar a terra..."


"E os rios de Angola, sabes?"


"Fiz a 4ª classe com distinção..."


"Com as oportunidades que te deram, eu tinha chegado a presidente..."


Neste mundo de doutores, avô, nunca te cales... pudera eu ter nas minhas mãos a sabedoria que as tuas encerram!

terça-feira, 24 de março de 2009

Eu, falo demais

E se te faltar a coragem?
Falta.

Sentes a minha falta?
Fala!
Há qualquer coisa que me escapa...

...Quando de intempestivo, severo, quase grosseiro, passas a desarmado, esquivo e sussurras "Não tenho nada para dizer". Aí, dizes-me tudo.

Eu falo demais porque gosto de ti.

sexta-feira, 20 de março de 2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Uma amiga assim

Vi-a a primeira vez numa tarde solarenga, queria tanto vê-la. Caminhava na minha direcção, leve, elegante, tranquila... não era bem na minha direcção, era na dele, como se houvesse um spaghetti gigante ligando as suas bocas, apaixonados mordiam a distância. Os olhos não se distraiam. Invejei-a logo. Invejei-lhe o cabelo, um dos mais bonitos que já vi, cobicei-lhe as botas de montanhista, eu queria umas mesmo iguais àquelas, mas já não as usa. Passo a explicar, a minha teoria é que ela as usou enquanto andava à procura da montanha da sua vida, depois conheceu-o e não mais precisou delas. O bom gosto foi extensível a tudo o que calçou depois delas. E a elegância... grrr, magrinha e torneada, sem adereços tontos, roupas limpas, não é limpas de lavadas, quer dizer isso também, mas é limpas de marcas e brilhantes e desenhos... limpas como a sua alma, ela era tão simples. E tinha um cheirinho muito súbtil, como ela toda. Depois, conheci-a bem, vivemos muitos dias e muitas noites a quatro, eramos geniais. Deu-me cafés da Etiópia, chás de limonete, sopa de tomate (única e delciosa), a Little Annie... deu-me olhares, abraços, estendia-me a mão com vontade, não era frete, não senhor. Ela era cá de uma beleza e inteligência emocionais, que saudades. Invejei-lhe também os lábios carnudos e desenhados e as calças skinny, sim ela tinha pernas para usar dessas. Era culta e não arriscava quando não tinha a certeza. Não era gananciosa, não ligava muito ao dinheiro, uma vez saiu-lhe um poker de ases... e ela foi apostando, apostando como quem tinha apenas um par. Agora que nunca estou com ela, fico com tanta pena de não ter sido mais afectuosa... de não a ter mimado mais, de não lhe ter esborrachado as bochechas rosadas com beijinhos. Nunca soube se o podia ter feito, acho que sim, vi-a a ser tão maternal com outras pessoas. Ela sem querer esburacou-me a carapaça. Esta carapaça que tenho que afasta os outros. Ela foi uma amiga assim, assim daquelas com que se tem vontade de passar noites em branco, de saber tudo e contar tudo, porque ela sabe guardar segredos e não moraliza, ouve só e guarda. Querida H. apeteceu-me escrever isto... foi de rompante, estou a pressentir coisas. Gostava de te contar os meus segredos.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

35 anos de um desejado dia 25

A mãe dele rezava terços ao borralho.
Calor que a enganava, rezas que a aqueciam.

O pai cavava.
Cada enxadada,
Cada menino de outro se enterrava.

Ela pura o esperava.
No lugar dos braços dele, só o tear encontrava.
Teceu tapetes que ele nunca pisou.
Teceu colchas para o eterno enxoval.

O único que ela amou, um barco o levou,
Só o trouxe o jornal.

Ela pura o espera...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Solitáte

Do teu longe não se faz perto.
A tua ausência não aumenta o que a ti me une,
as saudades não me fazem bem.

Cresce a certeza da falta que me fazes,
cresce a dúvida... brotam hipóteses.

Idealizo a tua metade.
Realizo imagens tuas com ela.
Sinto o teu cheiro, cheirado por ela.
Sinto o teu laço, mas não em mim... na cintura dela.
Vejo-te seduzido, meloso, dengoso... como já não és comigo.
Que pesadelo antigo.

Vem para aqui.
Sussurra-me o que quero ouvir.
Não sussurres, por favor, grita!!

Uma vez passei por Lamego...

...e trouxe esta imagem "cómego" :)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O primeiro "CONTículO"

Subo, desço, sento-me no terceiro de nove degraus.
Na parede as minhas mãos encontram, de olhos fechados, o rasto distinto pelo tempo. Como encaixam bem, são sempre as minhas sozinhas.
No chão, os degraus descobrem-se onde os grãos de pó se casam em descontraída poligamia… As minhas pegadas robustas calcam e desenham o pó celibatário. Ficam marcadas.
Depois de mim, alguém passou. Sei-o pela parede, pelo seu murmurar amedrontado, que me faz reparar num rasto de mãos que não é meu.
No chão, pés limpos que repisam as pegadas já marcadas, não ficam registados. Alguém subiu a minha escada anonimamente.
Absurdo este… comodidade talvez? Pisar unicamente onde alguém já pisou.
Apanho-o ao descer.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Telhas, telhado, tecto...e Céu!

Gosto das telhas, vermelho tijolo. Não gosto que me obriguem a abrigar-me sob um telhado. 
Como são bonitos os tectos de estuque antigo trabalhado. Como custa tocar-lhes. 
Telhas, telhado, tecto...e Céu! 
Obrigam-me a viver debaixo dele, Flagelo-me por não o conseguir alcançar.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Em Peste a contemplar Buda...

Algures do lado de cá foi gerado o ser mais perfeito e delicado e lindo que se viu...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

o pequeno guerreiro do Minho

Olhos negros e rasgados.
Cabelo crespo e dourado.
Rosto alvo e rosado.
Corpo esguio e desenvolto.
Dedos nervosos em mãos ansiosas.
Pés desenhados, perfeitos...
Perninhas titubiantes,
Ao comando de vontades caprichosas.


Sim, um dia foste assim, meu pequeno guerreiro do Minho... Capricha sempre nas vontades.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

o meu querido avô




Quando o modelo viu a obra final exclamou apenas "Está bonito, quem é? É o salazar?"

domingo, 21 de dezembro de 2008

ensina-me a emudecer essas vozes

São tantas vozes… Cedo-lhes um corpo. Converto-as em gente. 
Já só vozes não são. 
Fustigam-me essas gentes que engendro. Açoitam-me os medos… Mas não temo. Copulam meramente sob os meus cabelos. Ensina-me a emudecer essas vozes…

meu amor, das trevas já experimentei

Que loucura se apodera de mim,
Que me faz sentir estranha e só.
Que me faz procurar um igual,
E não encontrar.
Olho em redor…
Não há quem me perceba,
Quem tenha apreço pelo que faço,
Não por ser belo,
Mas porque me arranca sempre um pedaço.

Se olhar de novo,
E se, a mim, te quiseres mostrar,
Talvez nos possamos encontrar.
Aí também vais deixar de ser estranho e só,
Vamo-nos aconchegar um no outro,
E viver a loucura que sobre nós paira.
Tudo o que disseres eu vou perceber,
Tudo o que fizeres eu vou apreciar,

Meu amor,
Eu também das trevas já experimentei.
E se pensar no nojo que metem estas alminhas…
Acho que até gostei.

sábado, 20 de dezembro de 2008

vou-te desenhar uma flor

Vou-te desenhar uma flor,
Segue-me da raiz ao perfume.
Pára, concentra-te:
Finas linhas envoltas de terra,
Espreitam e se tornam grossas,
Agora não são térreamente escuras,
São verdinhas as linhas.
E ao lutar pelo calor, separam-se.
Quando fazem as pazes,
São de novo uma só linha.
Como se amor fizessem,
Dão à luz e ao calor,
O fruto do seu orgasmo,
Uma bela e tímida flor.
Primeiro cautelosa e de seda envolta,
Mas, mal vê quão bonito isto é ao nascer,
Desabrocha numa paleta de cores,
E que perfumadas tonalidades.
Cheira-a, inala cada cor.
A minha bela flor,
Não é eterna,
Cada dia perde uma pétala,
E quando olhares de novo,
Só as secas raízes restam dela.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"O discurso do coitadinho"

Uma pessoa, seguidora do meu blogue não assumida, disse-me, em privado, que a minha poesia e o meu discurso em geral estavam plenos do "discurso do coitadinho" e que eu devia ser uma pessoa muito triste e infeliz... E-R-R-A-D-O!! Felizmente, amo exacerbadamente e, sou muito bem amada, tenho uma família feliz, um filho que nem sei adjectivar de tão delicioso que é, sou quasi-realizada profissionalmente...

Não sei escrever sobre coisas bonitas... nunca escrevi sobre o meu amor, nunca escrevi sobre o meu filho... e são as únicas coisas que deveras me importam nesta sumária existência .

Ao longo do dia tenho picos de felicidade, felicidade infantil, imatura, arrebatadora, absorta... nesses picos sou feliz, sou mesmo feliz. Não obstante as vivências que deixam marcas, e são essas marcas que tento esconjurar...

Aqui, neste blogue, não quero que me façam psicanálise, não quero que dissequem a minha pessoa, isso faço eu melhor que ninguém. Quero poder partilhar os meus poemas, fotografias, quadros, quero-os à prova... só isso, quero expô-los à crítica não coada...

Faço-me entender?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Martina entorpecida pelo Camus


Mais do que entorpecida "sensual e bela de afagos e pose" por José Movilha

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Uma senhora


Esmago nas mãos o tabaco blasfemado

Dou por mim a enrolar mais um cigarro...
Esmago nas mãos o tabaco blasfemado.
Amordaço-o com vontade!
Sai de mim tão perfeitinho…
Dá gosto contemplá-lo.
Mas para quê tanta perícia,
Se em duas ou três inspirações,
E três ou quatro baforadas…
Ele não é mais do que nada?!
De súbito ao apagá-lo,
Sujo as mãos de cinza sua.
Percebo então que há sempre algo que nunca abala…

Certo dia passei por lá

Certo dia passei por lá.
Vi-o sentado como sempre.
Olhou-me com aqueles olhos dormentes,
De quem só olha e já nada sente.

A mim não esticou a mão...

Ainda assim deixei-o mal…
Logo lhe mandei uma moeda,
Que não lhe caiu no papelão.
Foi certeira ao orgulho,
Foi certeira ao coração.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sou pouco mais do que a pele torneia

Chega.
Imploro-te! Por hoje chega.

Já não tenho mais subterfúgios.
Já não tenho orgulho.
Já não tenho personalidade…
Já não sou uma pessoa como outra qualquer.

Sou agora um corpo com apelidos,
Largados à mais asquerosa criatividade.
Sou tudo o que me quiserem chamar.
Já não sou eu.

Sou pouco mais do que a pele torneia…
Já nem é sangue o que me corre nas veias.
São só lágrimas pela vossa razão abafadas.

Já não tenho mais evasivas,
Esgotei-as nos meus vis pensamentos.
Já não sou nada.
Não há argúcia que me valha.

Mas, porque é que não me deixam ser nada?
Chega! Por hoje chega…
Estou empanturrada de só contemplar falhas!

Um cinzeiro

Um cinzeiro é tudo o que peço.
Um cemitério descartável de fugazes viagens.

O roteiro dos sujos corpos,
precisa de ser enterrado.

Não pede misericordiosa missa,
pede somente... um buraco no esquecimento.

Entanto, o passado não se descarta.
Não se enterra o que tão bem na mente escava.

domingo, 14 de dezembro de 2008

George Orwell


Este é o George Orwell, por mim...


Nasceu em 1903 e morreu em 1950, tempo suficiente para nos deixar obras brilhantes. A sua vida é para mim fascinante. Foi bafejado pela sorte ao ter Aldous Huxley como professor...

retratos de um passado meu


Encontrei isto numa caixa poeirenta de uma tia-avó...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Sonhar

Sonhar,
Deixo-me ir para lá da ampulheta.
Sou sugada por uma vida que não é minha,
Mas que vivo enquanto penso.
Cristalizo cada momento,
Que bom que é ter poder sobre o tempo.
Estou capaz de não acordar,
se o fizer entro em desacordo com aquilo que sou quando não sonho...

Não sei o que lhe chamar...


... é só um pormenor recortado de uma grande (tentativa) tela!

Um senhor


Reunião geral de professores


Aqui vai o resultado de uma reunião geral de professores de duas horas...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sem título

Outrora forte.
Agora sem vida, tudo é cinza...
deixada aqui, aqui esquecida.

Foram tantos os desenganos, quantos são os débeis ramos,
Que abanam ao passar do fumo,
Vapor que tudo leva...

...e se encarrega de nos mostrar que mais do que fumo não somos.

Ter um blog

visito vários blogs regularmente, pensava muito em ter um, mas depois achava que já não queria, até que... aqui está ele. Era cobarde espreitar tantos blogs, e não ter um para ser espreitado e criticado e...e...e....!

Sou muito muuito muuuito vaidosa e sensível à crítica alheia... e, como tudo o que faço ou deixo de fazer é criticável... vamos poder faze-lo aqui!

Não sei bem como vai ser, vou deixando pensamentos e opiniões...

ok, está oficialmente apresentado!

cumprimentos a todos